Miniconto que eu te conto

Depois do sucesso, recolheu-se a graça do rosto do homem.
Efêmero fora junto com a confiança dos outros.
Agora o pobre mercenário, dono de um sorriso forçado, ostenta noites de boemia, preso à cama da amante. A
fiscal sanitária aposentada do prédio ao lado. A do duplex reformado.
O senhor de meia-idade que um dia fora engraçado, fazia questão de ser enganado. Mantinha-se alienado entre vampiros canibalistas, movido a piadas sexistas e muita bebida.
Eu assisti da areia, quase imóvel, cada passo em falso dado. De camarote, assisti a cena mais louca da minha vida: vi uma estrela negra tornar-se pálida.

Imagem: Dali
Postar um comentário